Pensava-se que era uma garota como as outras,
cheia de avidez, de sonhos considerados impossíveis a seu ponto de
vista. Até aquele dia. Quando uma simples palavra a fez chorar.
Quando ficou sentada sob as árvores, olhando o céu. Chorando, sem
saber ao certo o motivo pelo qual tantas lágrimas escorriam no seu
rosto.
Distraída do mundo, cada barulhinho não a
incomodava. Mas algumas pequenas coisas lhe chamavam demasiada
atenção. As folhas que caíam das árvores, o céu de um azul tão
intenso, com suas nuvens moldadas tão delicadamente e com cada
detalhe. Com cores vivas e alegres.
Sentia-se feliz, embora de seus olhos ainda
escorressem lágrimas. Ficou sentada na beira da calçada, longe de
casa, por horas. E não sentia a mínima vontade de voltar para ela.
Só queria estar ali, sozinha, tentando aliviar a tristeza. Tentando
deixar o coração mais calmo, menos
espremido.
Leu, leu muito. E a partir disso criou novas
ideias; tirou a mochila das costas, e a fez de travesseiro. Sim, na
rua sozinha. Cochilou. E não se importou com os tantos olhares, com
nada que estivesse a sua volta. Acordou, escreveu. Escreveu
muito. Aquele momento era o que havia de bom nela que se
manifestava. A cada som de pássaro, a cada folha de árvore que
balançava sobre ela, sentia que estava viva! Sim, estava viva. E
isso era uma dádiva. Ela era uma criação divina, pois foi feita com
as mesmas mãos divinas que criara o céu, a terra, os planetas, as
galáxias, e tudo o que há nesse mundo inteiro. E ela tinha sido
escolhida pelo mesmo criador, para habitar. Ela foi escolhida para
ser humana. Sentia sua pele. Era de carne e osso. Podia sentir,
chorar, podia enxergar. Havia algo mais que ela se importasse
naquele momento? Poderia passar dias e dias, e não veria o tempo
correr.
Estava sim feliz, mas o coração angustiado por
algum motivo que até então desconhecia. Quando enfim, aparece a
pequena grandiosa alma que a fará mudar de humor bruscamente. Sim,
aquela criança de no máximo dois anos de idade, segurando as mãos
de seu pai para que conseguisse caminhar, com um sorriso verdadeiro
e olhando diretamente em seu rosto, a fez abrir um sorriso
realmente sincero. Enquanto seu pai a levava caminhando, a criança
olhava para trás, e a cada olhada, um novo
sorriso.
Aquele sorriso mudou algo dentro dela, de alguma
maneira, mudou. E ela o guarda até os dias de
hoje.
Mais difícil que parar de chorar, para ela, foi
e será difícil esquecer aquele sorriso tão sincero, que com
certeza, queria dizer-lhe algo.
**Desejo a todos uma ótima
semana**
Comentários